De acordo com especialistas, privatização da Cedae não é o melhor caminho para o RJ

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No final de fevereiro, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou o projeto que autoriza a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae). Essa é a principal exigência do governo federal no plano de recuperação fiscal do estado. Para o diretor da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), Evandro de Britto, a privatização vai de encontro ao processo de reestatização das empresas de saneamento básico no Brasil e no mundo, e deixa dúvidas sobre sua real motivação. “Cidades como Paris, Barcelona, Buenos Aires, Atlanta e Berlim estão retomando o controle sobre o serviço devido às altas taxas cobradas pela iniciativa privada e a piora do serviço prestado”, afirma o diretor.

CE Meio AMbiente 100317
O diretor da Abes, Evandro de Britto; o deputado estadual Carlos Osório; o presidente do CE de Meio Ambiente e Sustentabilidade da ACRio, Haroldo Mattos de Lemos; o secretário Municipal de Conservação e Meio Ambiente, Rubens Teixeira; e o vice-presidente do CE de Meio Ambiente e Sustentabilidade da ACRio, Joper Padrão; participaram do encontro realizado no dia 10 de março

O presidente do Conselho Empresarial de Meio Ambiente e Sustentabilidade da ACRio, Haroldo Mattos de Lemos citou também que os modelos de privatização para bens essenciais como água podem ser prejudiciais à população mais carente. Segundo ele, o estado precisa de melhorias na gestão e não se desfazer dos seus ativos. “A questão não é se é público ou privado, mas uma questão de gestão, de funcionamento. Esse processo não afeta somente o Rio de Janeiro, mas toda a região metropolitana”, afirma o presidente.

Carlos Osório
Osório: “Ninguém é contra privatizações”

Presente no evento, o deputado estadual Carlos Osório (PSDB) afirmou que a privatização, moldes feitos pela Alerj, fere duas leis: a lei de responsabilidade fiscal e a de privatizações. Osório, que votou contra a privatização da Cedae, disse, ainda, que “ninguém é contra privatizar”, mas que, neste caso, o estado do Rio de Janeiro não está tomando a melhor decisão. “Eu acredito no valor da iniciativa privada, que elas são importantíssimas para o andamento do país, mas não se pode avaliar um programa de uma profundidade como esse sem o poder público e sem estabelecer salva guardas”, explica Osório.

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