Ministro da Saúde recebe proposta da ACRio para solucionar impasses no setor

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“A saúde que podemos ter” está nas mãos do governo federal. Durante o Almoço do Empresário, realizado no dia 17 de maio, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, recebeu das mãos do presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio), Paulo Protasio; e do presidente do Conselho Empresarial de Medicina e Saúde da entidade, Josier Vilar, o documento que registra um conjunto de sugestões para solucionar gargalos do setor no Brasil.

Josier Vilar e Ricardo Barros
O presidente do CE de Medicina e Saúde da ACRio, Josier Vilar, entrega para o ministro Ricardo Barros o documento “A saúde que podemos ter”. O projeto será discutido pelo ministério e a ACRio participará das reuniões

Barros elogiou a proposta feita pela ACRio e convidou representantes da entidade para reuniões em Brasília para por em prática as ações, fruto de 2 anos de trabalhos do Conselho. “É um documento muito sólido e que indica sugestões para a soluções de problemas. É muito gratificante ter essa preocupação do setor privado em estruturar o sistema de saúde brasileiro. Nós vamos marcar uma data para apresentar para toda nossa equipe para debatermos e aproveitarmos melhor esse projeto”, afirma o ministro.

De acordo com o presidente do CE de Medicina e Saúde, Josier Vilar, a proposta é “um caminho para a redução das iniquidades e para a facilitação do acesso e a garantia de uma entrega de serviços de saúde na qualidade que todos desejamos”.

O projeto “A saúde que podemos ter” pretende envolver parlamentares, setor acadêmico, indústria, prestadores de serviços, planos de saúde, agencias reguladoras, governo e sociedade para propor soluções e estratégias para os próximos 15 anos em nosso país.

Hospitais públicos no RJ são caros e ineficientes, diz ministro

No discurso durante a cerimônia na qual assinou o livro da Associação Comercial, o ministro Ricardo Barros falou sobre os hospitais federais no estado. “Os hospitais do Rio são caríssimos, produzem pouco, temos dificuldade de fazer com que o corpo clínico cumpra o seu horário de funcionamento. Há um excesso de licenças e desvios de sua função principal, que é atender a população”, afirmou o ministro, referindo-se às unidades federais.

Em entrevista aos jornalistas, o ministro confirmou que acha os hospitais fluminenses ineficientes e afirmou que a especialização seria o melhor caminho para as unidades federais do RJ, que consomem R$3,5 bilhões por ano, segundo ele. “Estamos trabalhando para melhorar essa eficiência contratando o Hospital Sírio-Libanês para dar uma consultoria e fazer com que os seis hospitais e três institutos trabalham em rede”, explicou Ricardo Barros.

presidente cremerj e ministro da saude
O presidente do Cremerj, Nelson Nahon, entrega ao ministro Ricardo Barros dossiê com mais de mil páginas com a situação das unidades de hospitais federais no RJ

O Cremerj entregou ao ministro um dossiê com mais de mil páginas com a situação das unidades no RJ. De acordo com o presidente do Conselho, a situação é pior nos locais que contam com emergências, no caso, o Hospital Geral de Bonsucesso, o Hospital do Andaraí e o Hospital Cardoso Fontes.

Porém, problemas também foram encontrados nas outras unidades federais do RJ, como o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e Instituto Nacional de Cardiologia (INC). Além disso, também enfrentam problemas no atendimento o Hospital António Pedro, em Niterói, o Hospital Clementino Fraga Filho e o Hospital Gafree Guinle.

“Nesse momento precisamos de médicos e medicamentos necessários. Em alguns hospitais faltam remédios para câncer há quatro meses. Isso é criminoso”, explicou Nelson Nahon, presidente do Cremerj, que questionou a declaração do ministro, afirmando que as unidades apontadas por ele tendo profissionais ineficientes são referência em pesquisa em várias áreas da Medicina, como pesquisa do Câncer e cardiologia.

Ministro da Saúde Ricardo Barros
Ministro da Saúde, Ricardo Barros, concede entrevista coletiva durante encontro na ACRio. Barros falou sobre a situação dos hospitais federais no estado e sobre as ações do governo federal para amenizar a crise na saúde