Obras de melhorias na Dutra, com nova pista de subida da Serra das Araras e outras revitalizações, devem começar em junho

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Principal via de ligação terrestre entre as duas maiores cidades do país, Rio de Janeiro e São Paulo, a Rodovia Presidente Dutra (BR-116) vai passar por uma revitalização, no trecho da Serra das Araras, que promete alavancar a economia de municípios da região e acabar com um gargalo histórico na área de transportes. O pedido de construção de uma nova pista de subida na Serra das Araras foi unânime entre prefeitos do Sul Fluminense, representantes da Secretaria Estadual de Transportes do Rio de Janeiro, da Câmara Metropolitana do Rio de Janeiro e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que participaram, nesta quinta-feira (7/4), na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio), de audiência pública sobre novos investimentos na Dutra. Outras sugestões foram apresentadas. Entre elas, construção de novos viadutos, melhoria de acessos e da gestão operacional da estrada, projeto de iluminação para melhoria da segurança viária e da segurança pública no trecho urbano metropolitano.

Jorge Bastos ANTT
“A concessionaria (CCR) deve começar as obras (de revitalização na Rodovia Presidente Dutra) já no mês de junho”, avaliou o presidente da ANTT, Jorge Bastos

De acordo com o presidente da ANTT, Jorge Bastos, a consulta pública para sugestões da sociedade civil ao projeto termina no dia 22 de abril. Depois disso, a agência terá vinte dias para analisar todas as propostas. De acordo com Bastos, todo o programa deve ser aprovado até o dia 15 de maio, para, então, ser encaminhado à concessionária NovaDutra, controlada pela CCR, empresa responsável pelo trecho de 402 quilômetros da BR-116.

“A concessionaria deve começar as obras já no mês de junho”, avaliou Jorge Bastos.

O diretor da Câmara Metropolitana do Rio de Janeiro, Vicente Loureiro, lembrou que a Dutra corta nove municípios da Região Metropolitana: São João de Meriti, Nilópolis, Mesquita, Belford Roxo, Nova Iguaçu, Queimados, Japeri, Seropédica e Paracambi. O executivo destaca que a harmonia entre o trafego regional e o local, de forma segura para todos, é um grande desafio a ser equacionado.

“É preciso que a gente saiba dosar isso para que não tenhamos, já em médio prazo, uma quantidade de tráfego que não possamos suportar, como já ocorre na Baixada Fluminense. Lá o tráfego já chegou em seu limite físico”.

Vicente Loureiro Câmara Metropolitana do Rio
“A Dutra é rodovia mais importante do país, onde passa uma grande quantidade de produtos manufaturados, de insumos. Liga várias cidades e é uma espinha dorsal de uma megalópole (Rio e São Paulo). Temos que tratá-la com muito zelo porque é um patrimônio econômico muito importante”, disse Vicente Loureiro

Loureiro observou ainda que um eventual acidente na Dutra, com derramamento de produtos químicos, poderia atingir o Rio Guandu, responsável pelo abastecimento de água de 85% da Região Metropolitana – composta por 21 municípios – ou um grande reservatório metropolitano que fica em Piraí, no Sul Fluminense.

“É preciso alguma engenharia de captação desses resíduos altamente poluentes, às margens da rodovia, no caso de um acidente ambiental. É uma questão de sustentabilidade”, disse.

O subsecretario estadual de Transportes do Rio de Janeiro e coordenador do Programa de Infraestrutura Logística e de Cargas (PELC RJ 2045) do estado, Delmo Pinho, afirmou que a Rodovia Presidente Dutra precisa, “urgentemente”, de um Plano Diretor e de Desenvolvimento Estratégico. “Obras de melhorias devem obrigatoriamente seguir tais diretrizes”, completou.

Pinho ressaltou ainda que muitas obras de contenções de encostas, passarelas, alargamento de pontes e viadutos foram executadas sem considerar a ampliação de capacidade pós contrato de concessão, vigente até 2021. O subsecretário avaliou ainda que o pavimento é fator fundamental nos custos e qualidade da concessão, portanto, trata-se de item fundamental o funcionamento imediato de todas as balanças atuais e previstas, 24 horas por dia e nos 365 dias do ano.

Delmo Pinho PELC
O coordenador do PELC e subsecretário estadual de Transportes do Rio de Janeiro, Delmo Pinho, apresentou um detalhado estudo de melhorias para a Dutra

O coordenador do PELC avalia ainda a necessidade de realocação das praças de pedágios de Viúva Graça e Itatiaia, o que, segundo ele, reduziria o custo final de operação passado pelo usuário da rodovia porque uma maior quantidade de veículos obrigatoriamente passaria pelos pedágios.

“Essas medidas favoreceriam menores tarifas e possibilidade de novos investimentos”.

Delmo Pinho assegurou ainda que, de acordo com o PELC RJ 2045, o ano 2038 já se configura como viável para o início de operação da Dutra II, totalmente revitalizada. “Seria interessante que o contrato do aditivo incluísse tal perspectiva sem a possibilidade de reequilíbrio no aditivo”.

O presidente da Comissão de Desenvolvimento do Sul do Estado, da ALERJ, deputado Nelson Gonçalves (PSD), afirmou que a maior reivindicação da comissão é, além da duplicação da Serra das Araras e da marginal no trecho de Resende, a integração de Volta Redonda com o Polo Industrial de Itatiaia.

Presidente da Comissão de Desenvolvimento do Sul do Estado, deputado Nelson Gonçalves
De acordo com o deputado Nelson Gonçalves, a Comissão de Desenvolvimento do Sul do Estado representa 12 municípios da região

“Queremos a segurança da população na região e acredito que nossa proposta será aprovada”, comemorou o parlamentar.

O prefeito de Barra do Piraí, Luiz Antônio Neves, destacou que a cidade contabilizou 46 mortes por atropelamento na via, somente nos últimos dez anos. Ele pede a construção de quatro passarelas em diferentes trechos do município, para evitar acidentes. O gestor sugeriu ainda obras de melhoria no acesso à cidade, com a construção de um viaduto. Neves também defende a duplicação da Serra das Araras.

Prefeito de Barra do Piraí, Luiz Antônio Neves
O prefeito de Barra do Piraí, Luiz Antônio Neves, ressalta que a cidade precisa de mais passarelas na Dutra para que os moradores possam transitar de um lado para o outro em segurança

“Esse é um importante componente de desenvolvimento econômico por ligar todo o Sul Fluminense com o Arco Metropolitano e com o Porto de Itaguaí”, concluiu.

Localizada entre os municípios de Paracambi e Piraí, entre os quilômetros 219 e 227, a atual pista de descida da Serra das Araras é remanescente do primeiro traçado da estrada, inaugurado em 1928, pelo então presidente Washington Luiz. Este trecho da Serra das Araras representa um gargalo para o trafego, com a ocorrência de diversos acidentes envolvendo o transporte de cargas, em função do traçado sinuoso da pista de descida. Não é incomum que os acidentes provoquem extensos engarrafamentos.

Foram realizados vários estudos em busca do traçado que atendesse as exigências atuais de segurança e fluidez de trafego, com nível de serviço operacional adequado a grandes eventos. Os estudos foram desenvolvidos em conjunto com a ANTT, órgão que fiscaliza a concessão.

O novo traçado da pista de subida permitirá vencer o desnível de 380 metros da Serra das Araras com modernas tecnologias e soluções inovadoras de engenharia. A nova pista terá três faixas de rolamento, com 3,6 metros de largura cada, um acostamento com a mesma medida e um refúgio de um metro de largura. A velocidade diretriz proposta para o novo traçado de subida é de 80 km por hora. O projeto prioriza soluções em tuneis e viadutos para vencer o desnível da Serra das Araras com o mínimo impacto ambiental.

A atual pista de subida será transformada em pista de descida, com adequações na geometria e melhorias nos raios de curvas nos pontos críticos. A velocidade de descida será de 60 Km por hora. Estão previstas duas rampas de escape, e um local específico para resfriamento de freios para os caminhões. O trecho inicial da descida terá um traçado novo, com quatro viadutos, totalizando, aproximadamente, 1,8 quilômetros.

As obras, de acordo com a CCR, podem chegar a R$ 3,5 bilhões. Os investimentos estão incluídos no Programa de Investimento em Logística 2015 (PIL 2), do Governo Federal.

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