Obras do VLT na Rua Sete de Setembro provocam dúvidas

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Obras do VLT mereceram debate na reunião do CE de Logística e Transporte
Obras do VLT mereceram debate na reunião do CE de Logística e Transporte

A chegada do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) à Praça XV, como está previsto na próxima fase da implementação do novo modal de transporte, preocupa os membros do Conselho Empresarial (CE) de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio). Um dos pontos de preocupação é a passagem pelos trilhos do sistema pela Rua Sete de Setembro, no Centro, onde existe rede de serviços com mais de 100 anos de existência.

O subsecretário estadual de Transportes, Delmo Pinho, que também é membro do CE Logística e Transporte, disse que o logradouro e também a Avenida Rio Branco são locais onde existem rede de esgotos, de distribuição de água muito antigas e o comportamento do transporte dos trens do modal merecem atenção. Ele participou na terça-feira (26/07) da reunião do conselho que debateu as obras para o período após os Jogos Olímpicos Rio 2016.

“Na obra de construção do metrô, foi feita toda uma rede nova, mas na Sete de Setembro, nada foi feito. A Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) informou que não sabe o que pode acontecer com a tubulação na proximidade do Aeroporto Santos Dumont, com a vibração dos trens passando por cima”, comentou.

Outra preocupação exposta na reunião do conselho foi a forma de conexão do modal com as barcas. Pinho disse que, com as obras de construção do Túnel Marcelo Alencar e o fim do antigo Mergulhão da Praça XV, os passageiros do transporte hidroviário ficaram sem opção de integração com o transporte rodoviário.

Delmo Pinho (à direita) demonstrou preocupação com redes de serviços nas ruas
Delmo Pinho (à direita) demonstrou preocupação com redes de serviços nas ruas

Para tentar sanar essas dúvidas, o presidente do CE, Eduardo Rebuzzi, disse que o conselho poderá convocar a diretoria do Consórcio VLT Carioca para dar esclarecimentos sobre como será a operação do modal no período pós-olimpíada. “Vamos marcar uma conversa para resolver essa questão”, acentuou.

No mês passado entrou em operação o trecho do VLT que liga o Centro à Praça Mauá e depois ligando o Centro ao Aeroporto Santos Dumont. A nova frente de obras de prevê a ligação do modal desde a região da Gamboa até o Centro, passando pela Central do Brasil, Avenida Marechal Floriano, Saara, Sete de Setembro até chegar à Praça XV. A partir do VLT, a previsão é que os passageiros façam conexão com outros meios de transporte nas interligações com a rodoviária, a Central (trens e metrô), barcas, navios e o aeroporto Santos Dumont, além dos BRTs, linhas de ônibus convencionais e o teleférico da Providência.

Presidente do CE, Eduardo Rebuzzi, disse que poderá convidar Consórcio VLT Carioca para falar sobre operação do modal após olimpíada
Presidente do CE, Eduardo Rebuzzi, disse que poderá convidar Consórcio VLT Carioca para falar sobre operação do modal após olimpíada

Proposta

Durante a reunião, o presidente da ACRio, Paulo Protasio, fez uma demonstração da proposta de redesenho da região metropolitana do estado do Rio de Janeiro feito pelo escritório do arquiteto Jaime Lerner. Essa proposta leva em conta o desenvolvimento do entorno da Baía de Guanabara por meio de linhas férreas e citou a parceria feita com a Associação Comercial da Bahia (ACB) na qual a Casa de Mauá e sua congênere baiano entrarem em acordo para atuar na promoção do desenvolvimento das regiões das baías – de Todos os Santos, no caso baiano, e da Guanabara, no caso carioca.

Protasio disse ainda que é preciso pensar no desenvolvimento do estado para o período pós-olímpico. “Temos de estar antenados no período olímpico, mas tendo o pós-olímpico no foco”, disse.

Na proposta de Lerner, está a expansão de regiões no entorno do Arco Metropolitano, onde podem ser construídas áreas de uso misto, ou seja, para fins industriais e residenciais. Para Delmo Pinho, não é correto pensar em alocar imóveis residenciais no entorno da rodovia.

“O Rio precisa melhorar a densidade da população. O uso do emprego de uso misto é um equívoco”, completou.

Ele argumentou que o Arco tem como objetivo evitar o trânsito nas vias metropolitanas e possibilitar o escoamento de transporte de cargas ao largo da região metropolitana e o uso dos terrenos no entorno deve ser essencialmente industrial. Segundo ele, o Rio hoje encontra dificuldades em realizar uma expansão portuária porque houve uma favelização de muitas áreas no entorno da Baía de Guanabara, impedindo a construção de estaleiros ou novos portos.