Presidente da Ajufe pede o fim do foro privilegiado

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Roberto Carvalho Veloso Ajufe
Veloso: “São 100.000 processos por ano que vão para o STF. Isso é impraticável”

Durante Almoço do Empresário realizado pela ACRio, o presidente da Associação Brasileira de Juízes Federais (Ajufe), Roberto Carvalho Veloso, afirmou que o foro privilegiado é um dos motivos para que a corrupção continue arraigada no cenário político. Segundo o juiz, nos dois anos da operação Lava Jato, nenhuma condenação foi feita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por causa do foro e pelo burocracia que existe no judiciário brasileiro. “Tem a Lava-Jato em Curitiba e no Supremo. No Paraná, foram 118 condenações. Já no Supremo, não temos uma única condenação. Ou seja, ser processado pelo STF é bom”, declara Veloso.

De acordo com o presidente da Ajufe, isso não se deve pela ineficiência das pessoas, mas pelo grande número de demandas existentes. “São 100.000 processos por ano que vão para o STF. Isso é impraticável”, afirma Veloso durante o Almoço do Empresário realizado pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio).

O juiz também participou do seminário “Ética: um princípio que não pode ter fim” durante o dia, assim como outros nomes como o presidente da ACRio, Paulo Protasio; o ex-ministro Marcílio Marques Moreira; o professor de Ética e Filosofia da Unicamp, Roberto Romano; do presidente do Rotary Club do Rio de Janeiro, Jorge Bragança; do embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa; do conselheiro da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), José Roberto Cavalcante; e do fundador do Amigos da Ética e benemérito da ACRio, Aroldo Araújo.

Seminário Ética
O General de Divisão Marco Aurélio Vieira; o conselheiro da Adesg, José Roberto Cavalcante; o presidente do Rotary Club do Rio de Janeiro, Jorge Bragança; a presidente do CE de Assuntos Jurídicos; Maria Teresa Cárcomo Lobo; o presidente da ACRio, Paulo Protasio; o presidente da Ajufe, Roberto Carvalho Veloso; o benemérito da ACRio, Aroldo Araújo; e o ex-ministro Marcílio Marques Moreira

Protasio exaltou a iniciativa dos Conselhos da Casa e disse que é fundamental falar de ética nos tempos atuais. “A ACRio é onde o cidadão tem voz, é a casa da cidadania. Por isso esse assunto é de extrema relevância para nós”, explica o presidente. Ele lembrou, ainda, o ex-governador de São Paulo, Mário Covas, ao revelar o seu sentimento em relação ao momento político no país. “Covas disse uma vez que ele ‘só tinha uma cara, mas se tivesse várias, certamente, todas elas estariam com vergonha’. Eu me sinto assim. Pela primeira vez na minha vida, eu estou com vergonha”, afirma Protasio.

O presidente do Conselho Empresarial de Segurança Pública, Ética e Cidadania, da ACRio, Luciano Porto, lembrou de exemplos atuais de ética na “nova geração do funcionalismo público”, como a operação Lava Jato, e, mais recentemente, o caso atual entre os ministros Calero e Geddel.

O benemérito da ACRio e fundador do Amigos da Ética, Aroldo Araújo, disse que uma das principais missões da ACRio, Rotary Club e Amigos da Ética, é divulgar ao máximo a Ética e o que aconteceu durante o seminário. Para ele, o princípio é essencial para qualquer lugar no mundo e não pode ter fim.

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ACRio recebeu o seminário sobre ética no dia 21 de novembro. O evento foi realizado pelo Conselho Empresarial de Segurança Pública, Ética e Cidadania e contou com o apoio da Adesg, do Rotary Club do Rio de Janeiro e do Amigos da Ética