Retomada de confiança é um dos maiores desafios do país, diz ministro

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Moreira
Ministro disse que país precisa retomar clareza das regras para voltar a atrair investidores

O ministro-chefe da Secretaria-Executiva do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Presidência da República, Moreira Franco, afirmou que um dos maiores desafios do Brasil é retomar a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros para diminuir a fila dos desempregados, que chega a 11 milhões. “Uma solução para esse problema é crescer. Para isso, precisamos de segurança jurídica e de um arcabouço regulatório onde regras, leis, compromissos e contratos sejam respeitados”, enfatizou.

Moreira Franco destacou ainda que o atual governo interino acredita que “a participação do setor privado nas questões do país é fundamental para a retomada do crescimento econômico”. O ministro participou de Almoço do Empresário, nesta sexta-feira (22/7), na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio). Na ocasião, o governador em exercício do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, disse que “é através do setor privado que o estado, gigante e falido, retomará as taxas de crescimento econômico”.

“O presidente Michel Temer compartilha que a alternativa primeira é a de mobilizar o setor privado para que possa, junto e com a cobertura necessária do setor público, retomar o crescimento”, disse Moreira Franco.

O ministro enfatizou também que essa retomada da confiança exige uma série de requisitos como necessidade de regras claras e de um arcabouço regulatório que as pessoas possam ter acesso. “Nós precisamos que estejam definidas o momento e a instância em que essas regras, ao longo do processo de construção de um edital, por exemplo, elas podem ser modificadas”, ressaltou ele.

Governador em exercício, Francisco Dornelles, disse que retomada do crescimento se dará por meio da iniciativa privada
Governador em exercício, Francisco Dornelles, disse que retomada do crescimento se dará por meio da iniciativa privada

Segurança jurídica

Para o ministro, a falta de confiança é um problema recente da economia nacional, fruto do que ele chamou de desorganização econômica e social pelo qual o país passou nos últimos anos e afirmou que o Brasil sempre prezou pela estabilidade, clareza das regras e segurança jurídica.

“Nós sempre tivemos segurança jurídica, mesmo com os atos institucionais, jamais se colocou em questão as relações institucionais que se davam com o mundo civil e que eram garantidas por regras, leis, compromissos e contratos que tinham valor e eram respeitados”, afirmou.

Para superar estes problemas, explicou Moreira, o presidente assinou uma medida provisória instituindo o Programa de Parcerias de Investimento (PPI) para superar a desconfiança gerada. “Para que todos nós pudéssemos enfrentar toda essa teia malévola que gerou a falta de confiança, o encabulamento de todos nós diante da imagem que o brasil passou a ter no exterior e o afastamento do investidor brasileiro e estrangeiro”, completou ele.

Como exemplo da situação grave, o ministro relatou uma conversa que teve com a presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maria Silva Bastos, na qual ela disse ter recebido empresários do setor de máquinas agrícolas e estes teriam dito que há dois anos não teriam recebido encomendas.

“Isso significa que o agrobusiness que é, talvez a única alavanca da economia, perdeu a confiança, a ponto de não contratar equipamentos para manter a produtividade. Nesse ritmo, o efeito sobre a produtividade será extremamente grave”, pontuou.

Associados lotaram restaurante da ACRio em mais um Almoço do Empresário
Associados lotaram restaurante da ACRio em mais um Almoço do Empresário

Segundo o ministro, um dos fatores que tem garantido a produtividade do setor era a qualidade tecnológica dos equipamentos, que hoje estão perdendo sua qualidade pelo uso excessivo e ausência de peças de reposição.

Região metropolitana

O presidente da ACRio, Paulo Protasio, relembrou o programa de investimentos do governo federal, na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chamado de Avança Brasil. Segundo Protasio, foi contratada um grupo de consultores a fim de definir áreas de desenvolvimento a partir dos municípios.

Presidente Paulo Protasio ressaltou importância da unidade da região metropolitana do estado
Presidente Paulo Protasio ressaltou importância da unidade da região metropolitana do estado

“Por incrível que pareça, chamaram esses projetos por referências regionais e o nosso ganhou o nome de rótula. É a parte que possibilita ao corpo humano ficar de pé e o Rio de Janeiro é a parte do Brasil que coloca o país de pé”, enfatizou.

Protasio citou ainda reunião com o arquiteto Jamie Lerner, onde foi discutida a importância da região metropolitana do estado. “Trouxe a importância da Baía de Guanabara, a complexidade na formação das áreas metropolitanas e um sonho de acabarmos com aquele lado da divisão, do Rio ser uma peça só”, ressaltou.

Da esquerda para a direita: presidente do Conselho Superior da ACRio, Humberto Mota; Francisco Dornelles; Paulo Protasio; e Moreira Franco
Da esquerda para a direita: presidente do Conselho Superior da ACRio, Humberto Mota; Francisco Dornelles; Paulo Protasio; e Moreira Franco
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