Sem melhora da produtividade não há crescimento, diz diretor do FMI

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Otaviano Canuto fez uma radiografia do atual momento econômico do País
Otaviano Canuto fez uma radiografia do atual momento econômico do País

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 0,3% no primeiro trimestre deste ano, sendo o quinto trimestre consecutivo de redução, retrato do momento de crise que o país atravessa atualmente. Para o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Brasil, Otaviano Canuto, esse problema está diretamente ligado à baixa produtividade da economia nacional. Para ele, essa é uma questão que precisa ser resolvida se o Brasil pretende retomar o caminho do crescimento.

“Temos problema de produtividade. Sem isso, o país não pode crescer e não pode contar com o aumento das contas públicas, com o retorno da poupança. Não tem como escapar”, disse ele, acrescentando que há uma falta de coalizão de forças da economia nacional que possa tratar do tema de forma adequada. “É um problema crônico que não está recebendo a devida atenção”, completou.

Assista abaixo a palestra:

Canuto participou na quarta-feira (01/06) do Almoço do Empresário, da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio). Ele lembrou que o desperdício, causado pela deficiência em infraestrutura, é um dos obstáculos à baixa produtividade nacional e que, por consequência, acaba emperrando o crescimento. Ele deu como exemplo a produção de soja nacional que, entre 2006 e 2007, um estudo do Banco Mundial mostrou que a perda da produção chegava a 30% do total. “Tudo por causa da ausência de uma capacidade de armazenamento e de logística”, ressaltou.

Outro fator que impede o crescimento econômico, de acordo com o diretor do FMI, é o atual ambiente de negócios no País e no âmbito da economia internacional. Ainda citando o Banco Mundial, ele disse que o órgão internacional realizou um estudo e mostrou que, em diversas áreas pesquisadas, somente o setor energético nacional se destaca e pediu uma abertura maior do ambiente de negócios a nível internacional. “É uma estupidez manter o ambiente fechado como está”, sublinhou.

O presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Paulo Protasio, disse em seu discurso que o Brasil precisa considerar e fazer uma reflexão do momento atual. Ele citou matérias publicadas pela mídia internacional antes e depois da crise, principalmente da revista The Economist, que em um primeiro momento publicou uma edição tendo na capa uma imagem do Cristo Redentor alçando voo e, após a crise, mostra o mesmo monumento não conseguindo manter o voo.

Presidente Paulo Protasio disse que o País precisa fazer uma avaliação da situação atual
Presidente Paulo Protasio disse que o País precisa fazer uma avaliação da situação atual

“Essa imagem é o que passa na cabeça de todo mundo fora do País, mais gravado do que nunca, porém isso nos dá outra percepção. A Associação Comercial do Rio de Janeiro, junto com outras associações comerciais do Brasil, está pretendendo ser sede da reunião mundial das associações comerciais em 2019. Estamos competindo com Estados Unidos, Canadá, Colômbia e Argentina, com suas respectivas cidades. O Brasil precisa ter essa visão e essa participação”, comentou. Ao fim do evento, o presidente da ACRio presenteou o Canuto com a medalha “Rio+20 – Vida que te quero viva”.

Assista o discurso abaixo:

Posse

No mesmo dia, a ACRio diplomou o novo presidente do Conselho Empresarial de Segurança Pública, Ética e Cidadania, Luciano Medrado Cruz Porto. Ele disse que pretende trabalhar em rede com a sociedade nos temas propostos pelo conselho. “De modo que a Associação Comercial do Rio possa continuar seguindo sua missão de propor e apoiar soluções que possam aprimorar a vida da sociedade”, disse.

Novo presidente do CE Segurança Pública (direita) quer trabalhar em rede com a sociedade
Novo presidente do CE Segurança Pública quer trabalhar em rede com a sociedade

Para Porto, a segurança pública é fundamental para que os empresários possam atuar refletindo no ambiente de negócios da cidade do Rio. “Não há possiblidade empreender qualquer atividade sem segurança pública. Estamos falando inclusive dos serviços públicos básicos. A educação e saúde requerem como pré-requisito a segurança. Isso se reflete da mesma forma na vida do empreendedor”, avaliou.

Confira principais trechos do discurso de Otaviano Canuto:

“Os produtores nacionais não se beneficiam dos avanços tecnológicos que permitem criar produtos de melhor qualidade”.

“É estupidez manter o ambiente de negócios fechado como está”.

“Há falta de coalizão em torno do problema da produtividade e não recebe a devida atenção”.

“Em 2006 e 2007, o Banco Mundial realizou um estudo sobre a produção de soja e verificou que 30% era desperdiçado por falta de armazenamento e logística”.

“Temos problema e produtividade e, sem isso, o País não pode crescer. Não tem como aumentar o rendimento. Não tem como escapar”.

Otaviano Canuto recebe medalha das mãos do presidente da ACRio
Otaviano Canuto recebe medalha das mãos do presidente da ACRio